sexta-feira, dezembro 14, 2007

Um poeta de verdade

Poeta que é poeta
Faz de tudo poesia...
Dia nublado
Sapato velho
Chão engordurado
Comida no lixo
Poeta que é poeta
Cata gotas de chuva
E faz caminho de pedrinhas...
Poeta que é poeta
Diz que favela é palácio
E subúrbio é reino...
Que cavalo é pégaso
E porco é gente
Poeta que é poeta
Assim de verdade
Ouve o canto dos desdentados
A buzina do caminhão de gas
O ronco do motor
E faz maravilhosa sinfonia...
Poeta de verdade
Não liga pra essas coisas não...
Sai pegando tudo
E vai montando e desmontando
Esse lego
Feito burro desvairado
Todo poeta é maluco
E lugar de maluco é no Pinéu
E esse lugar jorra poesia
Eessa poesia eu cato
E desse cato, caco
E de caco em caco
Poeta de novo...
Poeta que é poeta
cata comida do lixo
Escuta mendigo
Monta pégaso alado
Enfia tomada em nariz de porco
Vende caco a preço de diamante
E sai por aí dizendo um monte de coisas
Louco que é louco
Vê beleza em tudo!
Até na feiura...

Um comentário:

Tricia disse...

Louco que é louco...
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(Brincaderinha. Gostei, de verdade!)