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sábado, julho 21, 2007

O encontro

Foi como uma daquelas coisas que acontecem sem a gente saber, e fica meio atordoado depois... Porque de alguma forma, era para acontecer e sabe-se disso depois que acontece. O improvável. O quase impossível. E no entanto, foi revestido de extrema casualidade, banalidade e possibilidade, que se deu aquele encontro.

Eu tinha oito ou nove anos, não me lembro bem, e estava de mãos dadas com a minha mãe numa loja de roupas. Um rapaz veio se aproximando em sentido contrário ao nosso, sem intenção qualquer, apenas andando e olhando distraído o interminável cardápio de roupas, como minha mãe e eu.

Acontece que se esbarraram. Literalmente. E o que, em circunstâncias normais, seria desagradável e o caso de desculpas mútuas, foi, ao contrário, (como descrever tal coisa?) um átimo do despertar, o mágico, o metafísico, e de uma beleza mais do que rara, única, e... reveladora. Naquele infinitesimal lapso de tempo, algo lhes foi revelado. Ao rapaz e à minha mãe. Jamais teriam ou terão a chance de saber o quê. Mas foi um momento lindo, daqueles que não se explicam, e eu, como testemunha, a tudo assisti, intrigado e ligeramente feliz...

Os dois continuaram se olhando, ainda por algum tempo, virando as cabeças para trás, e sorrindo um para o outro...

Momentos depois, quando perguntei à minha mãe o que se passara, ela apenas me respondeu o que eu já sabia, que havia sido um esbarrão muito especial, ela não sabia porquê. E lamentava, mansamente, por saber que um encontro como aquele jamais se repetiria...

domingo, janeiro 28, 2007

Maçã-do-amor

Começou assim, inocentemente, como duas mãos que se vêem, como dois olhares que se tocam...

Tudo assim, por acaso, invertido... A roda gira e lá em cima tudo se perde confusamente... Até o tempo se perde, e da ordem vem o caos. Em meio ao caos os olhares crescem e são apenas olhares, essência, perdição da matéria, recantos lúdicos, onde jamais o amor descansa e ele não quer descansar! Ele não quer!

A roda pára. Lá em cima. E o amor gira. Gigante!

O amor é maçã, assim mesmo, servido em palito, camada fina de cristal doce que logo se desfaz na saliva e logo vem a parte sólida, que é devorada com avidez! Ainda a esperança do fino cristal doce, a saudade...

Lá em cima venta e é tudo do que o amor precisa... O sopro da brisa nas labaredas da maçã!
Vermelha... Efêmera... Eterna...