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quinta-feira, dezembro 03, 2009

E onde estarão
Estão
Estiveram
Todos...


Vejo cada um de vocês
Cada rosto marcado
Cada cor de olho

Choro por dentro
Meu coração está encharcado
De tantas lembranças


Nunca poder
De volta
Jamais


Nunca volta
Nunca vem
Paira...


E no fim
É tudo que sobra
Sobrou
Sobrará


Pó de lembrança é Saudade


E no fim
É tudo que resta
Dessa Ópera ridícula...

sexta-feira, dezembro 14, 2007

Um poeta de verdade

Poeta que é poeta
Faz de tudo poesia...
Dia nublado
Sapato velho
Chão engordurado
Comida no lixo
Poeta que é poeta
Cata gotas de chuva
E faz caminho de pedrinhas...
Poeta que é poeta
Diz que favela é palácio
E subúrbio é reino...
Que cavalo é pégaso
E porco é gente
Poeta que é poeta
Assim de verdade
Ouve o canto dos desdentados
A buzina do caminhão de gas
O ronco do motor
E faz maravilhosa sinfonia...
Poeta de verdade
Não liga pra essas coisas não...
Sai pegando tudo
E vai montando e desmontando
Esse lego
Feito burro desvairado
Todo poeta é maluco
E lugar de maluco é no Pinéu
E esse lugar jorra poesia
Eessa poesia eu cato
E desse cato, caco
E de caco em caco
Poeta de novo...
Poeta que é poeta
cata comida do lixo
Escuta mendigo
Monta pégaso alado
Enfia tomada em nariz de porco
Vende caco a preço de diamante
E sai por aí dizendo um monte de coisas
Louco que é louco
Vê beleza em tudo!
Até na feiura...

quarta-feira, dezembro 12, 2007

E se

E se as luzes se apagarem?
E se acordarmos todos baratas?

E se formos condenados pelo pai?

E se o juiz bater o martelo?
E se o sol nascer?

E se a Terra girar?
E se ninguém
mais morrer?
Nessa calçada cada vez mais estreita

Fica mais difícil se manter

Sem ser atropelado.
E se a pedra cair pra cima...

O piano virar flauta

A água virar sangue tinto...

A vida secar...

O mar secar...

E o sertão molhar?
Nesse sol de 50º está cada vez mais difícil manter-se no limite...

E se a música calar...

A arte se decompor...

E a pilha envenenar a Terra?
Cuidado...
E se as janelas não se abrirem...

As plantas saírem andando...

E a noite chegar?
E se eles chegarm...

E se nós resistirmos...

E se nada disso acontecer?
Agora é tarde...
E se eu vacilar...

E se tudo for verdade...

Mentira

E aí?
Nessa corda bamba, raros são os equilibrados. Caem todos, um a um...
E se eu imaginar...

E se eu voar...
E se eu esperar...

E se acontecer?

E se...

quinta-feira, outubro 11, 2007

Olhos

Vejo você
E como vejo!


Vejo seus olhos!
Eles me falam
Eles me gritam!

Seus olhos me chamam
Vejo neles tanta coisa!


Vejo mansidão plácida
Misteriosa
Noite sem fim...


Vejo lua vermelha
Uma lua muito cheia
E muito vermelha...


Vejo seus olhos
Eles me vêem
Me engolem!


Vejo neles
Praias
Florestas
Casas
Quadros
Bibliotecas
Amor
Paz
Tristeza
Tanta coisa!

Seus olhos urgem
Seus olhos louvam
Seus olhos clamam!


Vejo neles
Vontade
Retração
Expansão
Morangueira
Luzes de mil anos
Séculos de espera
Sonhos perdidos
Mar, luar

Rosto embaçado

Enfim!
Vejo e Enfim nos seus olhos sem fim!


Me vejo
Te vejo
Vejo!


Beijos apaixonados
Na chama do teu olhar
E nós

Sendo consumidos

Para virar um só...


Vejo teus olhos
Te vejo lá dentro
Te abraço
Te beijo desesperadamente...

quarta-feira, julho 18, 2007

Em lugar algum


Vago perdido

Entre folhas e sonhos
Letras e rascunhos
Ir e vir sem fim...


Vago sem sentido
Porque vida
Não carece de sentido
Não carece de meio e fim...

Vago por todo lugar
Em lugar agum
E esse é o meu lugar
Sempre será...

Um dia sonhei com casa
Mas casa não é meu destino
É querer demais
De um errante como eu...

Vago por cronicas
Contos
Poesia
Perdição e mais perdição...

Errante no caminho das letras
Única estrada possível
Feita de dunas
Que vão...

Vou cego por aqui
Não tem volta
Só em lugares há retorno
Mas estou em lugar algum...

Sonho com repouso...
Redenção que nunca virá
Erro por caminhos de vento
Todo lugar

Viagem sem fim
Vago por todo lugar
E na verdade não sou em algum lugar
Mas em lugar algum...