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segunda-feira, setembro 14, 2009

Tá pensando o quê?! (baseado em fatos reais)

Estava no segundo lugar da face da Terra que mais odeio estar (o
primeiro é o Banco): o mercado. Eis que ao meu lado esquerdo havia uma
mãe revoltada, segurando um saco de batatas fritas processadas e à
minha direita, a filha adolescente. A mãe, ao invés de chamar a filha
na chincha, coisa e tal, não, é claro, tinha que se comunicar com a
garota à distância:

- Não acredito que você sozinha comeu um desse, inteiro!
- Comi mesmo!-respondeu a menina, malcriadamente.
- Tá pensando que tua mãe ganha a vida tocando violão na zona? Heim? -
não satisfeita, inverteu a frase - Tá pensando que tua mãe ganha a vida
na zona, tocando violão?

Puxa... eu esperaria esse tipo de comentário de algum matuto sem
instrução, uma pessoa com a mente entupida de preconceitos e sobretudo
de alguém que não fosse do século XXI nem de uma metrópole como o Rio
de Janeiro...

O que o violão tem a ver com a zona? Já ouvi muito dizer que, em
tempos idos, quem toava violão era vagabundo. Isso em se tratando de
homem; mulher, então, era incogitável, seria considerada uma
prostituta da pior espécie. Assim foi com Chiquinha Gonzaga...

Eu sei, a história nada tem a ver com o violão, diretamente, mas, isso
me fez pensar em quantas pessoas pensam assim... "violão é coisa de
vagabundo" e por mais que se pregue discursos contrários a esse, por
mais que se queira dar uma de liberal, muitos pais torceriam (e
torcem) o nariz para filhos que querem tocar violão ou simplesmente
seguir carreira de músico.

Lamentável...

Novidade para você que pensa assim! Tem muito músico por aí que sequer
tem uma graduação e estão em empregos ótimos! Tem muito graduado aí
que está desempregado... conheço casos de quem não possui
graduação e tem vários empregos com música.
Além disso, Maestro da Osesp ganha mais que juiz.

É dinheiro que te preocupa? Sabe quanto que um músico qualificado pode
tirar por mês, com quatro aulinhas particulares por semana? Até R$
800,00.

E aí, cara pálida? Vamos tocar violão na zona?!

quinta-feira, julho 03, 2008

Um ato de amor

   Sentou-se à beira do cais. Não tomou posse do momento. Apenas deixou-se invadir pelo mar. Tomar posse é fardo pesado demais. Tomar posse é para jovens. Tomar posse é sanguinolento.
   Para quem já é oceano, sentar-se à beira do cais é um ato de amor. É assumir, calado, que é e sempre será parte do oceano...
   Já não existe fora e dentro. Existe... a ave de fora é a ave de dentro. As águas de fora beijam as de dentro e a espuma é a fronteira...
   O barquinho desliza livre de qualquer culpa. Livre de qualquer tempestade. A rocha não é poderosa ou resistente, ela simplesmente é. Mas simplesmente ser é um não-ato que só a Deus cabe, mas Aquele que É também é rocha e está e toda parte e já não há dentro e fora, simplesmente há...
   O azul do oceano, a resistência da rocha, o vôo da gaivota, tudo isso é varredura de palavras bestas que dissolvem o ato de amor. Mas o mar varre a sujeira das palavras para as reticências...
   Sentar-se à beira do cais é um ato de amor. É assumir, calado, que...

quarta-feira, julho 02, 2008

E seu filho?

  Dois camaradas se encontram, depois demuito tempo. Um deles está com o filho ao lado.
  -Fulano, há quanto tempo!
  -Pois é! Como você está
  -Estou bem! E sua filha? Deve estar enorme!-O outro, todo orgulhoso, responde:
  -Está terminando engenharia química!
  -Que bom! E o filhão, aí?- Meio embaraçado:
  -Ele também faz faculdade.- O outro, então, resolve perguntar diretamente ao rapaz:
  -O que você faz?
  -Estudo música- Aquele silenciozinho preconceituoso e constrangedor e afinal, o comentário infeliz:
  -Bem, o importante é fazer oque gosta!
 
 

Curtas (baseado em fatos reais)

  -Senhora, este caderno de música tem hexagramas e não pentagramas.
  -Está reclamando do que, está ganhando uma linha a mais!
   Só para constar. Não foi comigo. Mas gostaria que tivesse sido...

sábado, dezembro 08, 2007

Baseado em fatos (sur) reais, Largo da Carioca: A Arca

O Largo da carioca é mais ou menos assim: um pandemonio desgraçado, enlouquecedor, infernal, onde se anda em meio a um caldo sui generis de figuras quase mitológicas. Todos muito apressados e todos são muitos e muitos são os todos e é tudo isso ao mesmo tempo. Crea-me (como diriam os castelhanos), acredite, realize! De um lado, um cantor brega, cabeludo (adoram fazer tipo...), que produz e vende seus próprios cd's. Vanilson, Vandernelson, Vanderleison, um desses nomezinhos artísticos assim, biito. Ele liga as caixas de som a um gerador e monta uma mesinha para os cd's.

Um pouco mais adiante, a guarita da polícia militar. Em outro canto, o mendigo (não pode faltar...). Há também o espirituoso charlatão piadista que convence os igno... os ignóbeis de que uma boneca (sem roupa, sem braço e sem dente) irá se levantar e andar até um chapéu que ele coloca a cinco metros da dita cuja. E enquanto ela não se levanta e caminha por vontade própria até o chapéu, ele fica contando piadinhas tão engraçadas que me emocionam. E a emoção que sinto é tão grande que chego a andar mais rápido e o mais longe possível quando as ouço.

Em outro canto, há o Jimmy Hendrix perrapado, tocando guitarra, dedilhando solos pra lá de manjados... Além disso é cabeludo também (adoram fazer tipo...). Em outro canto, uma banca que, além de jornais e revistas, vende dvd's de filmes pornô a preço popular e anunciam em um microfone! (é, eles anunciam...)
Em meio a esse zoológico mitológico, centenas, milhares de corpos sem vida, caminhando sem rumo, rumo a um abatedouro que estranhamente chamam de trabalho. Lá, esses pobres zumbis serão explorados por seus patrões até a medula e no fim da vida ganharão dos colegas uma caneta folheada a ouro, como presente de aposentadoria.
No meio de tudo isso, é claro (é circo completo), o maluco da Bíblia, gritando e pregando em voz alta para quem quiser ouvir. Mas o que esse pobre coitado não sabe é que ele é só um fanático com síndrome de profeta e as pessoas para quem ele prega não passam de zumbis. Ora, zumbis não escutam, zumbis não pensam, zumbis não tem vontade própria. Eles simplesmente caminham sem rumo, rumo a um abatedouro que estranhamente chamam de trabalho, onde serão explorados por seus patrões até a medula e no fim da vida ganharão dos colegas uma caneta folheada a ouro, como presente de aposentadoria.
Mais uma substância que enriquece esse caldo espetacular são os índios peruanos, vestidos com os trajes próprios de sua tribo, tocando em enormes zampônias ornadas de penas coloridas, de aves provavelmente exóticas. Seus próprios cocares que vão até o chão são confeccionados com essas penas. O mais engraçado é que tocam típica música indígena peruana com playback eletrônico. Isso é que eu chamo de pós-modernismo...
Nessa arca da carioca, quase sempre faz um calor escaldante. O cheiro é uma mistura de urina, suor, gasolina, fumaça de cigarro e fedentina de pastelaria chinesa.
Há os vendedores ambulantes, e o que vendem são coisas que vão do útil ao engraçado, passando pelo bizarro. Chumbinho para matar rato, sandálias, protetor solar, óculos escuros falsificados, cd's, dvd's, roupas e sapatos piratas, queijo branco e tijolos de goiabada de proveniência e validade desconhecidos e pecinhas metálicas minúsculas que dão choque quando devidamente acionadas. A típica piadinha do Coringa...
Zumbis aos milhares, camelôs, arranha-céus, profeta maluco, cantor brega, índio peruano, guitarrista perrapado, piadista charlatão, tudo em movimento frenético, ao mesmo tempo, sem parar, milhões de eventos em um átimo de tempo... Um turbilhão enfurecido que engole e mastiga sem piedade quem quer que esteja por perto, seja padre, camelô, índio peruano, Jimmy Hendrix perrapado, Vanderney (nilson, nelson, nulson...) brega ou um zumbi caminhando sem rumo rumo a um abatedouro que estranhamente chamam de trabalho, onde serão explorados por seus patrões até a medula e no fim da vida ganharão dos colegas zumbis uma caneta folheada a ouro como presente de aposentadoria...

sábado, julho 21, 2007

O encontro

Foi como uma daquelas coisas que acontecem sem a gente saber, e fica meio atordoado depois... Porque de alguma forma, era para acontecer e sabe-se disso depois que acontece. O improvável. O quase impossível. E no entanto, foi revestido de extrema casualidade, banalidade e possibilidade, que se deu aquele encontro.

Eu tinha oito ou nove anos, não me lembro bem, e estava de mãos dadas com a minha mãe numa loja de roupas. Um rapaz veio se aproximando em sentido contrário ao nosso, sem intenção qualquer, apenas andando e olhando distraído o interminável cardápio de roupas, como minha mãe e eu.

Acontece que se esbarraram. Literalmente. E o que, em circunstâncias normais, seria desagradável e o caso de desculpas mútuas, foi, ao contrário, (como descrever tal coisa?) um átimo do despertar, o mágico, o metafísico, e de uma beleza mais do que rara, única, e... reveladora. Naquele infinitesimal lapso de tempo, algo lhes foi revelado. Ao rapaz e à minha mãe. Jamais teriam ou terão a chance de saber o quê. Mas foi um momento lindo, daqueles que não se explicam, e eu, como testemunha, a tudo assisti, intrigado e ligeramente feliz...

Os dois continuaram se olhando, ainda por algum tempo, virando as cabeças para trás, e sorrindo um para o outro...

Momentos depois, quando perguntei à minha mãe o que se passara, ela apenas me respondeu o que eu já sabia, que havia sido um esbarrão muito especial, ela não sabia porquê. E lamentava, mansamente, por saber que um encontro como aquele jamais se repetiria...

sábado, dezembro 30, 2006

Apelo

Saddam Hussein é enforcado. Bravo! Estados Unidos mais uma vez posa de herói, justiceiros e, de quebra, democráticos...
Com o devido respeito à nação iraquiana, bem, sabemos que é esperada essa reação de alegria de parte do povo, por causa do enforcamento do ex-ditador. Olho por olho e dente por dente, não é isso? Mas, para uma nação que se diz desenvolvida e principalmente, cristã, os Estados Unidos estão muito equivocados. Olho por olho e dente por dente, definitivamente não são ensinamentos cristãos. Vingança chamada de justiça! Você mata, nós te matamos! Você rouba, cortamos sua mão. Nação cristã... Mas, como pode ser isso se Cristo prega o dar a outra face? Dar a outra face é o oposto de olho por olho e dente por dente. Estados Unidos é um país hipócrita, não cristão.
Penso que Saddam deveria ter pago pelos seus crimes. Em uma prisão, não numa forca. Matá-lo é ser tão ruim, tão perverso quanto ele. Uma violência desnecessária.
Não o estou defendendo, nem o chamando de bonzinho. Sei que ele foi perverso, que matou muita gente e muita gente sofreu e sofre ainda hoje por causa dele. Mas estou declarando a minha revolta e o meu NÃO à pena de morte. Cito Saddam por ser o caso mais falado, mais recente.
2006 termina com muito sangue, com muita guerra e as pessoas vão às ruas, comemorar não sei o quê... Comemorar as guerras no oriente médio? Comemorar o enforcamento de Saddam? Comemorar a morte de centenas, milhares de civis inocentes em uma guerra estúpida, sem sentido?
Se não é comemoração, então é o quê? Simplesmente vamos ignorar o que acontece no mundo, olhar mais uma vez para os nossos próprios umbigos, fingir ou simplesmente não se importar com o que está acontecendo na humanidade. Sim, é o que vamos fazer, mais uma vez... Ir às praias e olhar os fogos...
Eu, como cristão, rezo sim, pela alma de Saddam e das vítimas dele.
É curioso. Será mesmo por justiça que estados Unidos enforca Saddam? Eu chamo de vingança. Sim, porque quem se diz justo, deveria ser por completo, não? Quantos ditadores há no mundo? Há quanto tempo reinam? Muitos deles há muito mais tempo do que Saddam e estão aí, incólumes!
O que há, presidente justiceiro?! Por acaso Cuba merece menos a sua atenção heróica do que o Iraque? Acaso Fidel não é um ditador? Porque também não o destituem e o enforcam ou o fuzilam como ele faz com os criminosos cubanos? Isso está me cheirando a prestígio, petróleo...E quanto à Coréia, China? Seus chefes de estado também são ditadores!
Não me importa quantas pessoas vão ler esse texto. É meu dever como cristão e como escritor protestar contra esta atrocidade (o enforcamento de Saddam) e contra todas as outras que acontecem no mundo, todos os dias... Gritar em nome de nações que vivem aflitas sob o jugo de ditadores cruéis como Saddam, Fidel, Bush (me desculpe, meu conceito de ditadura ultimamente anda um pouco alargado...) e tantos outros mas, gritar também contra essa atrocidade e anticristianismo que é a pena de morte, ainda que sejam aplicadas a ditadores como Saddam. Gritar, sim, contra essa estupidez, porque ninguém tem direito de tirar a vida do próximo, ainda que o próximo seja um ditador.
Sejamos cristãos, sejamos humanos. Chega de pagar violência com violência. Paguemos violência com amor e não com mais violência, essa é a mensagem cristã. Deixemos isso para os menos esclarecidos espiritualmente, rezemos por eles, não sabem o que fazem...
Tenhamos compaixão e amor em nossos corações...
Paz em Cristo
Em Cristo
Em Cristo!

sábado, outubro 14, 2006

Vida de músico (ou Baseado em fatos reais 2)


Patrícia Ferraz




O músico passa por cada coisa que se eu te contar é provável que não acredite. Mas assim mesmo vou contar.


Tudo começou numa linda manhã de sol, em uma igreja no centro da cidade. Duas semanas antes, o nosso grupo foi lá mostrar o repertório, previamente escolhido pelos noivos. Preciso dizer que quase nunca o repertório varia? Nada muito além de Jesus alegria dos homens (que parece ser a única música de Bach conhecida, além é claro, da Badinerie, que toca no metrô e nos celulares), Marcha nupcial, o trechinho mais conhecido da Primavera de Vivaldi, que toca em comercial de sabonete e shampoo, essas coisas.


Se eu simplesmente fosse lá, fizesse o meu trabalho, fosse pago devidamente e fosse embora, estaria satisfeito, mas não. É claro que eu tenho que ouvir alguns comentários graciosos, quando por exemplo se referem à música Jesus alegria dos homens:

Ah, é linda essa música, não é mesmo? Mas não toca ela toda não que é muito grande, não vai dar tempo... Isso, só esse primeiro pedacinho. Ah, é tão linda, é a música de Bach que mais gosto...!


Como sou uma pessoa pra lá de tolerante, tive ganas de perguntar:

É a música de Bach que você mais gosta? É mesmo?! E qual outra dele que você gosta?


Obviamente eu poria a noiva em situação embaraçosa com tal pergunta, então, por questões éticas, não o fiz. Mas vontade não me faltou. Ora, alguém que diz ter preferência por uma certa música de um determinado compositor é porque já terá ouvido outras músicas dele para ter parâmetro de comparação. Ou ao menos assim se pressupõe! Se vejo um quadro de Van Gogh e digo: Essa é a pintura de Van Gogh que mais me agrada, é porque antes já vi outras desse artista para dizer que aquela é a que mais me agrada, não?


O que me deixa mais... feliz, é o fato de falar de um dos maiores gênios da humanidade com essa leviandade.


Um dia, alguém me disse: Marcio, meu filho, nessa terra todo mundo é músico ou jogador de futebol.


Mas, voltemos ao casamento. Bem, depois de ter ouvido esses comentários legais, veio a pechincha, é claro. Casamento sem pechincha não é casamento! Mas eu ficaria feliz saber se eles pechincham com tamanha facilidade o preço dos fotógrafos, das flores, do vestido, do salão de festas da igreja...


Enfim, o casamento. O local onde os músicos ficam é, geralmente, algum lugarzinho que certamente seria condenado pela prefeitura. Prestes a desabar ou algo semelhante. Nos esprememos confortavelmente no coro da igreja e fizemos nosso trabalho como manda o figurino.


Não posso conter o sorriso quando começamos a afinar os instrumentos e como são instrumentos musicais, eles costumam emitir certos sons aos quais costumamos chamar de notas musicais. Começamos a afinar instantes antes da entrada da noiva e o cerimonialista, lá de baixo, fica visivelmente deseperado, com cara de ... Cara de ... Bem, com cara de quem acha que começamos a tocar antes que ele desse o sinal da entrada da noiva, e nos acena freneticamente para que interrompamos a música imediatamente. Não posso deixar de me deliciar com a situação e finjo não compreender os sinais dele. Quando então, terminamos de afinar e ele não entendeu nada, ficou com cara de ... cara de ... Bem, cara de quem compreendeu que aquilo era apenas a nossa afinação.


O caro leitor deve estar se perguntando porque não afinamos os instrumentos antes do casamento para evitar esse tipo de situação constrangedora, e eu respondo prontamente: instrumentos musicais (quase todos) desafinam quase que constantemente e precisam estar sendo afinados a curtos espaços de tempo, até que se comece a tocar. É claro que essa mesma indagação é feita, mais tarde, pelo cerimonialista...


No final do casamento, todos muito felizes e contentes vão saindo da igreja a passo de ... passo de ... Bem, a passo lento, enquanto os músicos continuam repetindo a música de saída pela quinquagésima vez, porque sabe, uma hora ela acaba, mas temos que continuar tocando e tocando até que a última pessoa saia, feliz e contente...


Também nós ficamos felizes e contentes por sermos os últimos a sairmos da igreja, enquanto os convidados, o casal e o resto do mundo está banqueteando, muito ocupados em não se lembrarem de que houve um grupo de pessoas que fez a música da festa deles...





sábado, setembro 30, 2006

Eleição



Época de eleição! Que colosso! Que... Patriotismo! Como eu me arrepio com tamanha demonstração de patriotismo e democracia!

Falando sério, quero que tudo se exploda como travesseiros de pluma em uma divertida "guerra de travesseiros" entre duas crianças...

Meus votos todos, no dia de amanhã serão nulos e não me importo em dizer isso, mesmo sabendo que voto é secreto. Abro mão disso nesse momento, para dizer que escolho não escolher!!!

Não tenho dúvidas de que os problemas mais sérios e mais profundos pelos quais os brasileiros, a humanidade passa, são de cunho espiritual, psicológico, e passam longe, muito longe das picuinhas pra lá de medíocres de partidos políticos!!!

O mundo vive um momento sensível, vulnerável, de extrema violência em todos os níveis, aspectos e formas!Ambição, que gera ódio, que gera intolerancia, que gera assassinatos, que gera miséria, hipocrisia, E NÃO TEM MAIS FIIIIIIMMMMMMM!!!!!

E estamos falando de partidos políticos????!!!!!

Não acredito em nada disso! Não acredito no sistema, não acredito em presidentes ou senadores, enfim!

Os "grandes" políticos poderiam começar seus mandatos com alguma lei que aprovasse a multa a quem poluísse as ruas com tantos milhares de malditos panfletos e toda sorte de propaganda política em papel!!! A cidade fica um nojo!!!

Não é minha intenção, não nesse texto, ser poético ou literário, apenas quero desabafar o que estou sentindo à respeito de toda essa... PALHAÇADA!

Nem todos os políticos, obviamente, são desonestos, mas acho que seria insultar a inteligencia do meu leitor dizer as razões pelas quais isso não adianta de droga nenhuma, não é mesmo?!

De fato, para mim não diferença que o nosso presidente seja o Lula, o Raul Seixas ou o Sílvio Santos!

Rótulos e mais rótulos!!! PT, PSDB. PSL, PSOL, LSD, PDT, etc!!!!! E que os rótulos têem a ver com bondade, caráter e cristandade???!!!! Não é preciso um sistema governamental para que as pessoas se empenhem em ajudar ao seu próximo, enfim!

Para mim, não faz a menor diferença! E na verdade, para NINGUÉM faz!!! HAHAHAHAHA!!!!!

Acha que um político ou outro fará diferença realmente prática e real na sua vida???? Ah, cai na real!!! A raiz é mais funda,meu amigo, minha amiga!!! Não adianta não!!!!! Os milênios passam e o ser humano continua batendo com a cabeça na mesma parede, nunca aprendem!!!! Não é de políticos que nós precisamos!!! Não é de uma grande modificação "nacional", "patriótica" que nós precisamos!!!

Necessitamos de algo muito mais profundo, verdadeiro, subjetivo, espiritual!!!
Não de políticos ou um governo!!! Quanto tempo, quanto tempo mais, batendo com a cabeça na mesma parede???!!!!

Voto na besta, mas a besta, na verdade, já está governando, HAHAHAHAHA!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Não no sentido fanático religioso da palavra, é óbvio...

Enfim bela "democracia", a grande festa da democracia da globo, um dos ícones e maior expressão da hipocrisia!

Bela democracia! Liberdade! Mas somos obrigados a votar!!!!!
Liberdade???????????

Política????!!!!!!!!!

HA HA HA HA HA HA HA HA HA HA HA HA HA HA !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!...



Baseado em fatos reais...

Certos problemas humanos poderiam ser facilmente solucionados (pelos humanos) caso o bom senso estivesse na lista de prioridades das pessoas.


Um supermercado lotado, em um domingo de manhã deve ser a terceira ou quarta coisa mais insuportável em um raio de uns 80000 km, aproximadamente. E a pergunta que não quer calar: Por que, por que todos escolhem um mesmo dia e um mesmo horário para apinhar um supermercado? Por que durante a semana todos trabalham? Ah, por favor, você não vai querer me convencer de que isso é uma razão suficientemente boa para que ocorra esse incrível fenômeno que ocorre todos os domingos de manhã, nos supermercados! E quanto aos sábados? E quanto a separar uma horinha na semana para as comprinhas do mês, ham? É uma questão de hábito! E sobretudo de bom senso!


De fato, não é lá muito saudável estar em um supermercado lotado. Lá há pessoas, por exemplo, que acham divertido atravessar o seu caminho com um carrinho cheio de compras e parar pra conversar com outras pessoas tranqüilamente, para quê a pressa? Outras preferem estar na sua frente apanhando o mesmo produto na mesma hora que você, tendo ao lado delas pelo menos dois metros de prateleira com o tal produto.


Bem, e é claro, o mais divertido: as filas! Como me divertem, as filas quilométricas abarrotadas de pessoas legais e tão sensíveis... Ah, como são sensíveis as pessoas da fila quilométrica de um supermercado lotado... Elas te pedem licença tranqüilamente quando querem passar, jamais esticariam o braço na sua frente para apanhar um produto sem pedir licença, jamais! Ou jamais derrubariam garrafas de suco de caju nos seus pés, porque são pessoas muito tranqüilas... Tão tranqüilas que algumas, na fila, até puxam conversa com você... E são conversas tão construtivas! Por exemplo, o tempo não firma ou as verduras que ultimamente andam amareladas ou como o supermercado está cheio, tópicos assim, repletos de conteúdo...


Ainda sobre a fila, temos um curioso evento sobre a quantidade de produtos. O caixa rápido pressupõe que o cliente esteja com, no máximo, dez produtos. Mas, é claro, as pessoas que costumam freqüentar um supermercado lotado gostam de fugir ao script, são rebeldes! Elas olham bem para aquela placa que diz: AQUI, SOMENTE DEZ PRODUTOS e pensam: Nãããããão, vou viver perigosamente, hahaha! Entrarei nessa fila com doze ou treze produtos, hahaha! É, é assim que essas pessoas pensam, não sabia? Ah, você achava que é porque brasileiro é assim mesmo, mal-educado, incapaz de respeitar uma regra social?


Por fim, após enfrentar a fila de dez produtos onde as pessoas passam com treze ou quatorze, chegamos ao final da saga do supermercado lotado. Um problema social que facilmente poderia ser resolvido se...


Já na porta de saída, com uma grande bolsa de compras, olho para trás e respiro aliviado, pensando: A-ca-bou!. Mas, antes que eu possa pôr o primeiro pé fora desse paraíso terrestre, a bolsa estoura e minhas compras se esparramam placidamente pelo chão, como batatinha que nasce... Respiro até o último alvéolo, fecho lentamente os olhos, tendo antes lançado um rápido olhar para a fila de dez produtos e me pergunto:


Quantos produtos havia nessa bolsa que estourou? Treze? Quatorze?

sábado, setembro 16, 2006

Um dia você vai precisar dele...




Um dia, todo mundo (a não ser o Bill Gates e a rainha da Inglaterra) precisa dele. Sim, ele... O hospital público.


Em geral, passamos por ele e olhamos aquela fila quilométrica (e continuamos andando), tecemos algum comentário insosso sobre a precariedade da saúde pública ( e continuamos andando) e sorrimos tristemente, em consideração aos pobres diabos que ali estão, etc (e continuamos andando). E... O que nem imaginamos é de algum dia, poder ser um de nós a ocupar o lugar do infeliz, estando lá, feito um trouxa, plantado naquela maldita fila, morrendo de dor, aguardando que algum funcionário público de boa vontade se digne a fazer sua ficha para ser examinado.


Enfim, a minha vez chegou. Certa vez ao acordar vi que esse era o meu dia de precisar de um hospital público.

E começamos bem. Uma hora e meia esperei na fila. E enquanto esperava, tive que ouvir a conversa espirituosa dos meus companheiros de doença.

- Pois é, menina, eu tô com um ovo debaixo do braço há duas semanas!

- É mesmo? Pois eu tô com inframação nas junta há três semana e eles num resolve nada, só manda voltá dipois! Esses médico tudo são uns carniceiro!

Depois de enfrentar a fila de uma hora e meia, escutando essa agradável conversa dos meus sickmates, apresentei minha carteira de identidade ao funcionário público de boa-vontade e então fui examinado pelo médico de porta de hospital (vou chamá-lo assim), que é o que te examina para se certificar de que o que você tem é realmente grave o suficiente para ocupar tempo e espaço do serviço público hospitalar. O médico que me atendeu perguntou:

- O que você está sentindo?

Bem, em circunstâncias normais, eu responderia:

- Alegria, doutor! Eu sinto muita alegria por estar aqui!

Mas como aquelas não eram circunstâncias normais, e eu estava sentindo muita dor, sabe? Porque dor é o que as pessoas geralmente sentem quando vão ao hospital, mas talvez aquele doutor conhecesse pessoas que vão ao hospital por sentirem tédio, ou raiva de algum parente distante, sei lá... Então, minha resposta foi:

- ...

E como ele não se deu por satisfeito com as reticências (mas por que diabos as reticências nunca são eloqüentes o suficiente?!), mudou a ordem das palavras, acreditando piamente que assim eu o compreenderia melhor:

- Você está sentindo o quê?

Pro inferno com as reticências eloqüentes, a dor era muita para ficar nesse joguinho legal de tolerância zero.

- Eu sinto dor aqui, doutor.

- Deixe ver. Aqui? Dói, quando eu aperto?

- ...

- Quando eu aperto, dói?

- Sim, dói.


Enfim, fui aprovado no exame de entrada, digamos assim, e fui aguardar no corredor, com os companheiros de enfermidade.

Depois disso, bem, vou poupá-lo(a) da maldita saga burocrática à qual fui submetido e que me fez subir e descer quatro lances de escada quatro vezes, para que eu tivesse direito a colher sangue através de uma injeção que não levaria meio minuto. E eu lá, subindo e descendo escada, cheio de dor...

Quando entrei na sala de tirar sangue, estive cuidadosamente atento aos movimentos da enfermeira para me certificar de que ela utilizaria êmbolo descartável, e não um de vidro... Francamente, não queria que me acontecesse o que aconteceu a um infeliz qua há alguns anos chegou a um hospital público porque foi picado pelo mosquito Aedes aegypti e voltou para casa infectado com o HIV porque foi picado por uma agulha contaminada por um resquício de sangue de um êmbolo de vidro. Mosquitinho danado...


Enfim, depois de quase ficar sem nariz em uma daquelas portinhas legais de hospital, aquelas que se abrem para dentro e para fora, quando uma enfermeira invadiu o corredor sem a menor cerimônia, carregando uma maca, fui me sentar e esperar o resultado do exame de sangue. E a dor continua...

Enquanto isso, na sala de tirar sangue, uma garotinha berrava a plenos pulmões, porque se recusava a tomar injeção. Aquele berrinho gostoso de criança, sabe? Eu teria resolvido isso com três tapas na cara e uma bala Juquinha. Mas a psicologia infantil diz que balas Juquinha não funcionam com crianças. Que pena...


A essa altura eu já havia prometido quatro coisas e amaldiçoado cinco para sair daquele lugar com vida. Vida mental intacta.


Após duas horas aguardando pacientemente pelo resultado do meu exame, ouvindo toda espécie de perguntas legais que as pessoas faziam aos atendentes sobre quando teriam seus exames, o meu finalmente chegou. E a dor só aumentando, eu mal consegui mover o pescoço.

Enfim, fui examinado. O médico olhou meu exame e disse que eu não tinha nada. Que tomasse uma tal injeção e aguardasse um pouco. Se não melhorasse, que eu voltasse à sala dele.

E lá fui eu, subir novamente os malditos quatro lances de escada para levar a tal injeção. De fato, melhorei, após meia hora, e desci para agradecer ao médico e para dizer que havia melhorado de sei lá o quê. Da doença de sei lá o quê. Ele então, muito espirituosamente perguntou, antes mesmo que eu desse qualquer explicação:

- Passou a dor?

Tive ímpetos de responder: Não, passou o tédio ou a raiva de algum parente distante!, mas me contive. Preferi, uma vez mais, as reticências eloqüentes. E como sempre elas geraram aquela inversão das palavras, na pergunta:

- A dor passou?

...









domingo, setembro 10, 2006

Vai com Deus, vóvó...



Fica aqui minha homenagem a uma velhinha adorável, de 93 anos de idade,
Elza Drummond.

Ela viveu uma vida linda, foi e é muito amada pelos filhos, netos e bisnetos...
Sou um dos bisnetos dessa velhinha adorável e me orgulho disso.
No dia 21 do último mês ela foi para junto de Deus...
Estamos morrendo de saudade...
Vai com Deus, vovó, olhe por nós todos...
Até um dia!
Nós te amamos muito!

terça-feira, setembro 05, 2006

Genesis

Olá, caríssimos!
Estou estreando meu blog, espero que gostem!
Peço que divulguem o quanto puderem!
Serei sempre sincero, contundente, direto, espero que façam o mesmo, nos comentários!
Divirtam-se!